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Estrela Poesia

A vida se faz caminhando,cada dia cada hora é único,mas sempre de mão dada com o amor

Estrela Poesia

A vida se faz caminhando,cada dia cada hora é único,mas sempre de mão dada com o amor

Escrevo


Escrevo já com a noite

em casa. Escrevo

sobre a manhã em que escutava

o rumor da cal ou do lume,

e eras tu somente

a dizer o meu nome.

Escrevo para levar à boca

o sabor da primeira

boca que beijei a tremer.

Escrevo para subir

às fontes.

E voltar a nascer


 Eugenio de Andarde

 

CAIXINHA DE MÚSICA

Qual grande caixa de música,
a cidade, de sons e cores,
é, também,um grande palco:
a emoção, bailarina,
vibra dentro de todos
e a música é poesia
na ponta das sapatilhas...

 

Luíz Carlos Amorim

Frutos

Quando a amada oferece
o seu corpo, ela sabe
que dos frutos apenas
se colhe o sabor.
É então
que os dedos
separam as películas,
que a lâmina desce e a água
e o fogo se misturam.
E é então que a vida
e a morte convivem
sob o mesmo tecto.

Albano Martins

 

Certeza


Sereno, o parque espera
Mostra os braços cortados,
E sonha a Primavera
Com seus olhos gelados.

É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e sementes.

Basta que um novo Sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.

Miguel Torga

 

Magia

A música,
poesia do som,
embala a emoção,
aguça os sentidos,
transborda o coração,
explode por todos os poros
e faz-se movimento,
dança e enlevo...
A magia do corpo,
na ponta dos pés,
esparramando poesia...

Luís Carlos Amorim


Chegar

Chegam as andorinhas
com a primavera,trazem
Com elas a vontade,de fazer
poemas,a vontade de mudar.
As palavras os sentimentos
Os sentidos,ou se calhar! de Amar

Em dias de Inspiração/Lisa

Amar

Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.

 

 

Máro Quintana

 

 

Último soneto

Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

 Mário de Sá Carneiro 

                              

ESQUECE-TE DE MIM, AMOR

Esquece-te de mim, Amor,
das delícias que vivemos
na penumbra daquela casa,
Esquece-te.
Faz por esquecer
o momento em que chegámos,
assim como eu esqueço
que partiste,
mal chegámos,
para te esqueceres de mim,
esquecido já
de alguma vez termos chegado.

António Mega Ferreira

 

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